sábado, 30 de novembro de 2024

Porque a política brasileira sempre foi obstinada violência?

 O Brasil, enquanto país violento, leva pessoas a impasses sem sentido, na medida, em que as mesmas sob essa lógica passam a agir e além disso, se veem como condutoras da manutenção de tal lógica. Talvez você não entenda o que estou descrevendo aqui, mas eventos recentes da política na internet levam a solidificação dessa constatação.


Do que eu estou falando?

Refiro-me ao atrito recente entre Nando Moura e o MBL, os quais estão imersos nessa lógica para o bem ou para o mal. Quando fazemos uma retrospectiva histórica longa do nosso país, a política foi sim marcada por grande violência. Desde o império, com as revoltas e sublevações políticas marcantes daquele momento, para a proclamação da República, migrando para o tipo de política coronelista feita naquele momento, até a ascensão de Getúlio Vargas que com mãos de ferro governou essa combalida nação, passando pelo regime militar onde tortura e sequestro era como tomar café da manhã, passando para o regime atual onde existe a persistência do coronelismo e outras formas de violência que vez ou outra aparecem no noticiário. A partir dessa constatação óbvia, alguém sabiamente fará a pergunta o que isso tem a ver com o conflito entre as partes citadas? É simples, ambas movem-se, novamente pro bem ou pro mal, sob as premissas violentas.

Com a construção dessa breve linha do tempo, o que percebemos é que a violência foi e segue sendo natural e ao invés de mediante a Constituição de 1988 e a configuração política dela elaborada, se instituir no Brasil uma forma honesta e conciliatória de fazer política, o que obtivemos foi polarização doentia e adensamento da tensão entre as pessoas no tecido social brasileiro. Com o PT e PSDB isso foi observado, mas o partido tucano não teve a potencialidade de discurso destrutivamente verborrágico que a contraparte vermelha de tal modo, por um breve período de tempo na história do nosso país a política pareceu institucional, mas outra marca distintiva do Brasil é revisitada aqui, as coisas em Santa Cruz precisam apenas parecer verdadeiras nunca serem de fato. Mas fato é que fugir da própria natureza, não dura muito tempo, de tal forma o que se observou como consequência foi a disrupção hemorrágica do organismo brasileiro, assim em 2013 as coisas voltam a ser o que eram de antes de 1988, violentas.

Nesse ponto então, eu posso estabelecer o método para conectar MBL, Nando Moura e a violência como meio de constituição política na história do Brasil. Aqui, vale uma ressalva importante quando digo violência busco uma compreensão ampliada do termo, de tal modo não me refiro a algo físico. Bom, retomando então uma nova linha do tempo o MBL se constitui de forma embrionária, quando seu fundador Renan Santos em 2013 reacende dentro de si, a verve de articulação política ao participar das manifestações que marcaram aquele e vê naquela movimentação, a possibilidade de ratificar em si mesmo a vocação que segundo ele sempre foi presente em seu DNA, no ano seguinte então o movimento finalmente é criado onde os membros protestam em defesa da liberdade de expressão e da editora Abril. Essa constituição, leva-nos a uma análise genérica do método de atuação do movimento, caracterizado por elaboração de memes nas redes sociais e linguagem agressiva nos levando aqui a retomar aquela tese, a atuação intensa do movimento se dá com  a reeleição de Dilma Rousseff que sofre o impeachment, graças em parte pela atuação primorosa e obstinada desse movimento.

Algumas conclusões são tiradas daqui, o PT não atuou mediante conciliação justa mas injusta e corrupta, fomentou o ataque e perseguição aos que não se submetiam ao seu projeto criminoso de poder, a sociedade revoltada com o estado devastador de coisas em que se encontrava a nação brasileira se opôs de forma desorganizada em 2013 e a partir de 2014 com organização maior e lideranças, em especial o MBL, enfim no final Dilma foi deposta, o pensamento de direita se popularizou no debate político, Jair Bolsonaro surfou a onda e se colocou como aquele que encarnava os valores almejados por aquela massa amorfa de pessoas e é leito sob esse discurso, que no fim se mostrou inequivocamente da boca pra fora. cabe considerar aqui, durante o mandato de Jair Bolsonaro a violência discursiva foi mais intensa do que nunca antes na nova República. Inclusive com as figuras citadas anteriormente por aqui.

Aproveitando essa deixa, falo agora um pouco sobre Nando Moura que iniciou seu canal tratando de músicas e deixando suas opiniões, das mais diversas, polêmicas e contundentes, na internet em especial no YouTube sua autenticidade de lá pra cá lhe rendeu uma miríade de fãs e inscritos. Ele, dentro daquela movimentação anteriormente citada, foi um dos que se caracterizou como parte da direita incipiente mas barulhenta e ativa. Por consequência disso, apoiou de forma intensa o pleiteante a presidência da República Jair Bolsonaro e todo aquele movimento em que o mesmo estava inserido. O mesmo, sempre defendeu a autonomia e exercício cívico de cobrar aqueles que por nós enquanto sociedade foram eleitos, a partir disso e cobrando as promessas não cumpridas de Jair Bolsonaro. Pagou o preço por isso, o fazendo sofrer ataques intensos do público fiel do então presidente.  

Posteriormente, ocorre uma aproximação entre ambos devido a configuração política que se constituía naquele momento, partindo de tal premissa ocorre que na altura de uma crise importante para o movimento, ambos entram em conflitos de novo, uma vez que o fizeram quando Nando Moura ainda era fiel a Jair Bolsonaro, de lá pra cá o que ocorre é uma oscilação na relação entre o influencer e o movimento político.

O ponto áureo desse confronto, se deu recentemente quando Nando Moura tencionou a relação com vários militantes menores do movimento na rede social X, daí Nando Moura e Arthur do Val (Mamãefalei) fizeram vídeos opondo-se um ao outro mutuamente e alimentado tal conflito.

Não cabe a mim agora, fazer juízo de valor acerca dessas figuras, apesar de ser simpático as movimentações políticas do MBL que mostrou sua garra e determinação bem como dos posicionamentos de Nando Moura, sou levado a confirmação daquilo que trouxe incialmente e acomete até aqueles que querem fazer as coisas de um jeito melhor e diferente, os fazendo brigar entre si. 

Conciliação é necessária entre o grupo( direita independente), mas será que será possível entre todos os grupos políticos da sociedade brasileira, dado o histórico lamentável que temos hoje?

Essa é a grande pergunta e infelizmente, acredito ainda não ter a resposta.




By: Marlon A. M. Martins

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