Adiáfora Tupiniquim!
Adiáfora descreve os assuntos Teológicos, que não possuem definição objetiva no texto sagrado dentro do Cristianismo. No Brasil, a falta de definição e certeza acerca da sociedade e dos rumos da política vem marcando nossa história. Pretendo vir tratando, de tudo isso.
sábado, 27 de dezembro de 2025
Natal, Flávio Bolsonaro, Brasil e a Idolatria.
sexta-feira, 20 de junho de 2025
A religião emergente que está quase acabando
A história política do Bolsonarismo, enquanto fenômeno sociopolítico na contemporaneidade brasileira, impressiona pela sua grandiosidade numérica e construção espontânea ao menos inicialmente por parte da sociedade civil. Vislumbramos a corrosão desse fenômeno, na medida em que o cerco jurídico-político se fecha em torno da figura protagonista do mesmo como salientei um pouco no meu último artigo, no entanto, acredito ser interessante fazer novamente um traçado histórico estabelecendo um paralelismo entre a ascensão desse "movimento" e o adensamento da canastrice moral e psíquica dos apoiadores fiéis da "nobre causa".
A figura de Bolsonaro ganha destaque a partir da participação do mesmo em programas de TV aberta de baixa audiência, os quais topavam qualquer coisa para angariar público e visibilidade, nesse sentido convidar um político sem feitos concretos nulos na sua atuação política, sem densidade intelectual alguma e com uma virulência estúpida nas palavras parecia ser uma boa ideia, como foi basta ver o faturamento da emissora catapultadora em questão durante o governo do mesmo. Nesse ínterim, entretanto, a popularidade de Bolsonaro se dava pela repercussão de suas falar em nichos restritos da internet, essa que naquela época começava a se alterar. Pois bem, havia um grupo que o entendia como figura adequada para assumir destaque no debate político nacional, mesmo com os predicados que eu destaquei a pouco. Resumia-se, portanto, a uma grande piada.
Tudo começa a mudar, na medida em que, com essa pequena retaguarda visionária que o impulsionava a cavar espaço na mídia convencional e nas redes sociais, somado a tentativa do mesmo em se ancorar nas movimentações pelo impeachment de Dilma Rousseff o mesmo vai ganhando espaço, nesse momento ainda com desconfiança e descrédito mas o importante naquela ocasião, era ser falado. Tal estratégia, mostrou-se muita inteligente, visto que com o sucesso das movimentações pelo impeachment de Dilma Rousseff e a ausência de uma liderança política, oriunda daquela movimentação, Bolsonaro, que não teve trabalho concreto algum para viabilizar a deposição da então presidente, se cacifou como liderança quase inconteste. As pessoas, então, ouvindo seu discurso que foi modulado para atender as expectativas das mesmas expostas nas ruas entre 2013 e 2016, agora o tinham como o arauto da transformação sebastianista rastaquera como expus no último artigo. Assim como de baixo para cima as pessoas se revoltaram com estado deletério de coisas em que o país estava acometido, agora também espontaneamente faziam ode a Jair Messias Bolsonaro.
Sob um prisma teológico, vislumbramos, então, a perspectiva de criação, queda e redenção no caso brasileiro a criação do país se deu de forma atabalhoada como bem sabemos ao olhar para todo o processo colonizatório que fundamentou culturalmente o que hoje somos, bem como as sucessivas crises quando já independentes apontando para essa queda que mostrou-se aguda a partir dos anos 90 para cá e a redenção esperada com alguém inadvertidamente chegando e transformando todo o nosso estado de coisas, obviamente esse alguém foi Bolsonaro. Tal vislumbre redentivo, mostra-se problemático sob muitos ângulos, mas o mais certeiro e latente está no fato de colocarem expectativas e fé salvadora em um homem cheio de falhas e sem nenhuma qualidade visível. A política, pode trazer muitas vezes consigo uma forte carga de cinismo, ao percebermos sabiamente que ela faz o possível que está a uma distância muito acentuada do ideal; o povo entidade abstrata e problemática, no entanto, não compreendeu assim e depositou confiança inabalável em um homem facilmente abalável.
Ao longo do tempo, como já disse em outras ocasiões, a torcida espontânea e engajada virou culto sectário e violento(discurso) dessa forma o que poderia ser em algum ponto algo bom, mesmo que eu particularmente nunca tenho percebido assim, virou apenas uma torcida lulopetista de sinal contrário. Portanto, aquelas disputas como cruzeiro versus atlético ou católicos versus evangélicos, ganharam mais uma disputa notável lulistas versus bolsonaristas todas essas torcidas não se valem de grande aporte intelectual e muitas vezes foge da racionalidade e se desenvolve no campo das paixões. Esse é o ponto em que nos encontramos, quando olhamos para os apoiadores persistentes dessa seita, visto que, graças aos mecanismo de fidelização promovidos pelos microfones de aluguel e pelas redes de mensagens nas redes sociais Bolsonaro segue cristalizado no imaginário dessa gente como aquele que tentou salvar e não conseguiu.
Parcela da população, então, hoje segue sendo imebecilizada e enganada; mas não podemos nos iludir são fruto de todo esse autoengano metafísico que levou o país a criar uma nova religião caracterizada pelo uso das cores do Brasil, palavras de ordem e culto ao líder. Não há redenção na política, como eu disse no começo esse fenômeno está nas últimas, entretanto, algo similar pode ressurgir se essa concepção atabalhoada persistir. Saibamos que podem haver boas aventuras e mecanismos terapêuticos para qualquer sociedade em que ela se estabelece, compreendamos isso e sairemos do lamaçal vigente.
quinta-feira, 19 de junho de 2025
Triste Fim de Policarpo Bolsonaro!
As notícias recentes, apontam para a prisão iminente de Bolsonaro. Com base no avanço do depoimento de autoridades ligadas ao seu governo, bem como elementos intrincados a investigação em curso, somado a vontade política do sistema administrativo do país estabelecido, tudo leva a crer que o mito será derrubado. Cabe, então, ao se levar isso em consideração quais os fatores ou movimentos que nos trouxeram a esse momento de desfaçatez aguda no debate político e humilhação de um campo político que parecia promissor e destinado a grandes feitos em 2018.
Quando nos deparamos com um cenário absolutamente devastado, fruto de escolhas ruins daqueles que deveriam garantir a sua subsistência e propósito. Somos levados a questionar: há solução ou alguém pode resolver esse estado de coisas? Esses questionamentos foram feitos, quando o Brasil concluiu atonitamente que as proposições feitas por Lula e o Partido dos Trabalhadores, atingiram um teto como um grande esquema de Pirâmide ou Marketing Multinível. Onde, após as crises ligadas ao mensalão, o debacle que se abateu sobre o país no governo Dilma, bem como o escândalo do petrolão somados a desmoralização generalizada da classe política levaram a desolação por parte das pessoas e um anseio por um transformação Sebastianista do estado de coisas da nação Tupiniquim.
Desta feita, o estandarte Sebastianista Tupiniquim foi erguido em solo brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, o nome imponente que traria a mudança demandada naquele cenário de terra arrasada pós-impeachment de Dilma Rousseff e descrédito total do governo federal na figura de Michel Temer, mesmo com medidas corretivas, no que tange a esfera econômica, em seu governo. Assim, surgia essa grandiosa promessa e restou a população a confiança naquela figura capaz de ler os anseios e impressões da população e dessa forma, consolidar uma persona verborrágica, objetiva e certeira. Não havia dúvidas, aquele que começou como memes de pré-adolescentes bem humorados, torna-se um representante notável da Classe Média e uma brisa suave nas têmporas dos mais velhos naquele contexto.
Pois bem, se o cenário de terra arrasada foi fruto de escolhas, demandava-se, então, daquele ícone emergente decisões e tratativas que operassem na direção oposta daquilo produzido por aqueles a o precederem. Entretanto, ao vencer aquele pleito lendário, surgiram no noticiário elementos que questionavam a idoneidade de seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, sob tal sombra seu governo foi montado. Grande expectativa na largada, mas logo se viu que o motor daquele possante não completaria nem uma volta, assim por meio de elementos atualmente repetidos de maneira prosaica como a indicação de Augusto Aras a Procuradoria Geral da República ou a instituição do juiz de garantias ilustram, portanto, o caráter hipossuficiente daquele arranjo construído e o descumprimento total das promessas de campanha. Assim, o ano de 2019 na opinião pública, foi apenas enrolação e polemização vazia por parte do governo federal, quanto ao ano seguinte percebeu-se rígida incapacidade política onde em um momento que qualquer político minimante sagaz, promoveria união o presidente Bolsonaro investiu na desunião.
Somado a essa pantagruélica decepção, conseguimos vislumbrar com base em notícias mais recentes, mas também com uma lupa mais ampliada ao governo corrente naquele momento histórico, que o cometimento de crimes por parte daquele governo também foi algo fartamente percebido. Desde escândalos na área da educação utilizando-se de barras de ouro, até gabinetes informais visando a derrubada do regime vigente e implementação de uma ditadura. Com base nisso, ou seja, o descumprimento perenal das promessas de campanha somado a crimes reais cometidos pelo governo deveria haver uma sublevação, daquela população que esteve fortemente ativa de 2013 a 2018 a fim de exigir a mudança de rota ou deposição do governo em análise, entretanto, nada disso ocorreu, pois o senso cívico tornou-se fanatismo e idolatria política.
Por meio de grupos de WhatsApp, grupos de Telegram, microfones de aluguel e lives diuturnas do então presidente da República. As pessoas se tornaram anestesiadas e idiotizadas, por aquele governo que fingiu ser a promessa ex-machina de mudança mas mostrou-se exclusivamente um sonho tresloucado e pueril; não para essas pessoas dopadas. Essas no ápice da fanatização desenfreada, dirigiu-se para a praça dos três poderes e tentou romper mesmo que atabalhoadamente com a ordem institucional vigente. Mas nem todas foram pelo caminho de dobrar a aposta no cavalo manco.
A constatação, precisa ou não, por parte da população desses elementos por mim trazidos aqui levou a derrota de Bolsonaro nas urnas que ele repetidamente colocou sob descrédito, essas foram poderosas o bastante para impedir seus delírios de grandeza e sua incompetência grotesca, visto que nem Dilma Rousseff em sua incapacidade para realizar as atividades mais singelas perdeu uma reeleição. Sob tais constatações, grande parcela dos que votaram em Bolsonaro em 2018 não repetiram o feito em 2022; assim a proposição de uma panaceia política veio ao fim e os envolvidos nisso em especial o ex-presidente, agora enfrentam o amargor das consequências de seus atos indiscutíveis de injustiça.
quarta-feira, 7 de maio de 2025
O Brasil vai mal!
Eu poderia iniciar esse texto falando de inúmeros dados do IBGE, do FMI, bem como de tantas outras organizações na esfera internacional; a fim de atestar os péssimos indicadores do Brasil em todos os setores possíveis. Mas o elemento inescapável para discussão, é a própria percepção cotidiana das pessoas comuns nas suas atividades ordinárias nessa terra.
Quando se estabelece como paradigma o povo, ente esse notadamente problemático, em especial no Brasil, basta verificarmos os presidentes eleitos de 2002 a 2022 sem exceção. Devemos então, ser parcimoniosos e cautelosos, com o intento de evitar generalizações abobadas e promotoras de conclusões equivocadas, entretanto, o senso comum carrega consigo o elemento unificador de todos nós enquanto espécie distinta de todas as outras, considerando sob um prisma mais particularizado a própria história e condensação cultural do Brasil servirá de alicerce para tal percepção geral.
Aberto o flanco da discussão, bem como feitas as devidas ressalvas a constatação do estado de calamidade que se acomete sobre o país, não é equivocada mas depreensão inconteste. Essa oriunda, do viver diário ao ligar a televisão ou as mídias sociais, ao sair de carro para o trabalho e precisar abastecê-lo, ao ir na padaria tomar um café, ao ficar parado no trânsito demasiadamente, ao fazer compras no fim do mês, ao levar o filho para a escola ou esperar um atendimento médico na fila do SUS. Todas essas situações, carregam consigo uma indiscutível gravidade, somos levados a uma situação de aturdimento e anestesia, pois apesar de tudo isso nossas vidas precisam ser vividas e aqueles em posição de poder não deram ontem, nem estão dando agora sinais de preocupação com essa situação.
Dito tudo isso, aí se firma o grande problema a condição sociopolítica e econômica do mundo está mudando velozmente, nesse sentido uma postura inteligente, perspicaz e ágil mostra-se fundamental para enfrentar esse desafio por parte dos agentes políticos. Esse é o terrível pulo do gato, enquanto fazemos o que podemos que é viver nossas vidas pagando escorchantes impostos, os que muito mal lideram a nação, seguem agindo com uma perspectiva, absolutamente, mesquinha e egoísta sem demonstrarem nenhuma preocupação com a agravada condição em que nos encontramos. Sim, apenas viver nossas vidas não será o suficiente em pouco tempo.
Agora eu deveria trazer uma conclusão matadora, entretanto, se eu apontar como resolução a participação popular, falharei, visto que o povo participou e engajou nos últimos 11 anos e voltamos a estaca zero, se eu falar de renovação política, também não serei exitoso, uma vez que isso ocorreu fortemente de 2018 para cá e não obtivemos nenhum resultado satisfatório, poderia falar de cultura mas a nossa é a da desfaçatez e do escárnio.
Grave é o quadro pintado da cena "atual" do Brasil e a solução parece que virá apenas de forma metafísica!
Por: Marlon A.M. Martins
segunda-feira, 14 de abril de 2025
A verdade vem das entranhas!
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
Bolsonaro e sua realeza: o cinismo em carne e osso!
O Bolsonarismo enquanto fenômeno político e midiático da história recente do país, mostrou-se algo ímpar e atípico na história de nosso país. Considerando as particularidades do momento histórico em que o mesmo se firmou, leia-se, a proeminência das mídias sociais bem como da comunicação massificada e descentralizada; no entanto, isso se refere as externalidades do movimento o que é surpreendente no fenômeno é o caráter de inovação e mudança política que o mesmo atribuiu para si, porém, esse é o pulo do gato até 2018 essa autodeterminação poderia fazer sentido mas com Bolsonaro no poder e as escolhas por ele feitas, percebeu-se inequivocamente que o mesmo não passava de um falastrão e que seria incapaz tecnicamente e moralmente de realizar as promessas que fez durante as eleições.
Cabe a mim agora pontuar alguns elementos que corroboram essa constatação que fiz, caso contrário, será apenas o dito pelo não dito e isso é extremamente desagradável não é mesmo? Bom vamos a questão nevrálgica no discurso firme e impactante de Bolsonaro durante aquelas eleições de 2018: a segurança pública - esse tópico foi batido por Jair incansavelmente durante aquela corrida presidencial, onde o mesmo dizia que a criminalidade não teria vez em seu governo, que os crimes graves seriam severamente punidos, a corrupção não teria espaço na sua administração, além disso as pessoas de bem que desejassem ter acesso a armas de fogo para defesa pessoal o teriam com imensa facilidade. Esse foi o discurso, vamos a prática o fato concreto é que não houve nenhum endurecimento penal no que tange ao combate crime organizado, a corrupção foi premiada em seu governo quando o mesmo sanciona o juiz de garantias e coloca no comando da Procuradoria Geral da República uma figura garantista, sem nenhum apreço pela ação combativa da justiça contra as ilicitudes dos políticos, além disso encerra a operação lava-jato, não passa nenhuma lei referente a viabilidade do uso de armas de fogo pela população comum. O que temos aqui? Estelionato eleitoral puro e simples, vale considerar que essas foram as principais falas de Bolsonaro no que tange a temas caros para o eleitorado de direita, bom se no principal o mesmo foi um completo incapaz, consideremos as questões secundárias, será que nelas ele foi efetivo?
A resposta para essa pergunta é não, as reformas demandadas pelo população naquela ocasião sendo elas a reforma previdenciária, reforma política, reforma administrativa e reforma tributária não foram em sua maioria levadas a cabo. A única reforma aprovada no governo Bolsonaro, foi a reforma da previdência trancos e barrancos sem a sua anuência, pelo contrário, o que teve por parte dele foi descrédito em relação a necessidade da mesma e exigência de que houvessem exceções na mesma para o setor militar. Sendo essa a mais amadurecida no debate naquela ocasião, após um esforço hercúleo foi possível implementá-la. Quanto ao restante, certamente, nem perto de avançar foi possível. Nesse sentido o Brasil segue profundamente desigual e sem mobilidade formal, no que se refere a possibilidades econômicas. Isso foi mais um estelionato eleitoral grave.
Sendo essa a constatação ao se verificar os fatos, deveria existir grande comoção popular para a derrubada desse governo, uma vez que o mesmo descumpriu tudo aquilo que prometeu em uma onda cultural, midiática e sensorial de profundas mudanças no estado coisas do país. O que obtivemos, no entanto, foi a cristalização ainda maior da fidelidade a Jair Bolsonaro devido a sua rede de apoiadores com inúmeros seguidores nas redes sociais que defendiam todos os malfeitos feitos pelo governo de então, bem como pelas correntes de Telegram e WhatsApp que mantiveram ativo o endosso e apoio a essa figura.
Isso nos levou a termos a gestão federal que temos nesse momento, como constatar isso em termos factuais para além da elucubração indignada? Bom, basta que vislumbremos as decisões que o governo adotou no que tange ao judiciário brasileiro, onde o mesmo não viabilizou uma CPI que investigasse as possíveis arbitrariedades e ilegalidades da Suprema Corte, além da questão central que devolveu Lula a disputa política, sendo essa a indicação de Bolsonaro de Kássio Nunes e André Mendonça para o STF, onde o primeiro a votar deu o voto de minerva que colocava Lula de volta a disputa política, mesmo esse tendo sido preso por escândalos de corrupção. Além disso, o mesmo vetou a lei que limitava decisões monocráticas de ministros da Suprema Corte; vale lembrar uma vez que eu já vinha me esquecendo onde todas essa traições trazidas por mim desde o início se deram pelo fato de Flávio Bolsonaro estar elencado em escândalos de corrupção e a fim de não sofrer nenhuma retaliação do sistema político o mesmo optou por descumprir todas as promessas que fez em sua campanha de 2018.
Depois de tudo isso, somado ao desastre que foi a condução do governo Bolsonaro no que se refere a pandemia, a eleição de Lula se mostrou muito facilitada. Lula então assume um país em frangalhos, devido a má gestão de Bolsonaro em todos os sentidos e por ser um incapaz técnica e moralmente não moveu uma vírgula para garantir a mínima melhoria da nação. Nesse momento que publico esse texto o mesmo tem chances de derrocada, na medida em que houve uma suposta irregularidade no programa "Pé-de-meia" destinado a concluintes do Ensino Médio, soma-se a isso as graves notícias recentes relacionando o governo a organizações criminosas do nosso país e temos o caldo cultural perfeito para a retirada do nosso governante.
Falta apenas vontade política (se chegou até aqui és um guerreiro), esse é o problema já que os legatários de Bolsonaro nesse momento optam por fazerem discussões inócuas nas redes sociais sobre quem irá presidir o Senado e a Câmara do Deputados, enquanto isso, Lula se mantém em fervura lenta na cadeira presidencial. A pergunta que fica é porque eles não estão ativamente mobilizados pelo impeachment de Lula? A resposta é simples, precisam do aval de Jair Bolsonaro e tudo indica que o mesmo não se interessa pelo impeachment de Lula, já que ambos são figuras populistas e um precisa do outro para ter apelo eleitoral.
No fim a mesquinhez persiste, caso queira fugir dela a hora é essa e defender a derrocada desse governo para que novos ares possam ser vislumbrados adiante, caso contrário o sofrimento da nação será ainda mais acentuado em breve tempo.
sábado, 30 de novembro de 2024
Porque a política brasileira sempre foi obstinada violência?
O Brasil, enquanto país violento, leva pessoas a impasses sem sentido, na medida, em que as mesmas sob essa lógica passam a agir e além disso, se veem como condutoras da manutenção de tal lógica. Talvez você não entenda o que estou descrevendo aqui, mas eventos recentes da política na internet levam a solidificação dessa constatação.
Do que eu estou falando?
Refiro-me ao atrito recente entre Nando Moura e o MBL, os quais estão imersos nessa lógica para o bem ou para o mal. Quando fazemos uma retrospectiva histórica longa do nosso país, a política foi sim marcada por grande violência. Desde o império, com as revoltas e sublevações políticas marcantes daquele momento, para a proclamação da República, migrando para o tipo de política coronelista feita naquele momento, até a ascensão de Getúlio Vargas que com mãos de ferro governou essa combalida nação, passando pelo regime militar onde tortura e sequestro era como tomar café da manhã, passando para o regime atual onde existe a persistência do coronelismo e outras formas de violência que vez ou outra aparecem no noticiário. A partir dessa constatação óbvia, alguém sabiamente fará a pergunta o que isso tem a ver com o conflito entre as partes citadas? É simples, ambas movem-se, novamente pro bem ou pro mal, sob as premissas violentas.
Com a construção dessa breve linha do tempo, o que percebemos é que a violência foi e segue sendo natural e ao invés de mediante a Constituição de 1988 e a configuração política dela elaborada, se instituir no Brasil uma forma honesta e conciliatória de fazer política, o que obtivemos foi polarização doentia e adensamento da tensão entre as pessoas no tecido social brasileiro. Com o PT e PSDB isso foi observado, mas o partido tucano não teve a potencialidade de discurso destrutivamente verborrágico que a contraparte vermelha de tal modo, por um breve período de tempo na história do nosso país a política pareceu institucional, mas outra marca distintiva do Brasil é revisitada aqui, as coisas em Santa Cruz precisam apenas parecer verdadeiras nunca serem de fato. Mas fato é que fugir da própria natureza, não dura muito tempo, de tal forma o que se observou como consequência foi a disrupção hemorrágica do organismo brasileiro, assim em 2013 as coisas voltam a ser o que eram de antes de 1988, violentas.
Nesse ponto então, eu posso estabelecer o método para conectar MBL, Nando Moura e a violência como meio de constituição política na história do Brasil. Aqui, vale uma ressalva importante quando digo violência busco uma compreensão ampliada do termo, de tal modo não me refiro a algo físico. Bom, retomando então uma nova linha do tempo o MBL se constitui de forma embrionária, quando seu fundador Renan Santos em 2013 reacende dentro de si, a verve de articulação política ao participar das manifestações que marcaram aquele e vê naquela movimentação, a possibilidade de ratificar em si mesmo a vocação que segundo ele sempre foi presente em seu DNA, no ano seguinte então o movimento finalmente é criado onde os membros protestam em defesa da liberdade de expressão e da editora Abril. Essa constituição, leva-nos a uma análise genérica do método de atuação do movimento, caracterizado por elaboração de memes nas redes sociais e linguagem agressiva nos levando aqui a retomar aquela tese, a atuação intensa do movimento se dá com a reeleição de Dilma Rousseff que sofre o impeachment, graças em parte pela atuação primorosa e obstinada desse movimento.
Algumas conclusões são tiradas daqui, o PT não atuou mediante conciliação justa mas injusta e corrupta, fomentou o ataque e perseguição aos que não se submetiam ao seu projeto criminoso de poder, a sociedade revoltada com o estado devastador de coisas em que se encontrava a nação brasileira se opôs de forma desorganizada em 2013 e a partir de 2014 com organização maior e lideranças, em especial o MBL, enfim no final Dilma foi deposta, o pensamento de direita se popularizou no debate político, Jair Bolsonaro surfou a onda e se colocou como aquele que encarnava os valores almejados por aquela massa amorfa de pessoas e é leito sob esse discurso, que no fim se mostrou inequivocamente da boca pra fora. cabe considerar aqui, durante o mandato de Jair Bolsonaro a violência discursiva foi mais intensa do que nunca antes na nova República. Inclusive com as figuras citadas anteriormente por aqui.
Aproveitando essa deixa, falo agora um pouco sobre Nando Moura que iniciou seu canal tratando de músicas e deixando suas opiniões, das mais diversas, polêmicas e contundentes, na internet em especial no YouTube sua autenticidade de lá pra cá lhe rendeu uma miríade de fãs e inscritos. Ele, dentro daquela movimentação anteriormente citada, foi um dos que se caracterizou como parte da direita incipiente mas barulhenta e ativa. Por consequência disso, apoiou de forma intensa o pleiteante a presidência da República Jair Bolsonaro e todo aquele movimento em que o mesmo estava inserido. O mesmo, sempre defendeu a autonomia e exercício cívico de cobrar aqueles que por nós enquanto sociedade foram eleitos, a partir disso e cobrando as promessas não cumpridas de Jair Bolsonaro. Pagou o preço por isso, o fazendo sofrer ataques intensos do público fiel do então presidente.
Posteriormente, ocorre uma aproximação entre ambos devido a configuração política que se constituía naquele momento, partindo de tal premissa ocorre que na altura de uma crise importante para o movimento, ambos entram em conflitos de novo, uma vez que o fizeram quando Nando Moura ainda era fiel a Jair Bolsonaro, de lá pra cá o que ocorre é uma oscilação na relação entre o influencer e o movimento político.
O ponto áureo desse confronto, se deu recentemente quando Nando Moura tencionou a relação com vários militantes menores do movimento na rede social X, daí Nando Moura e Arthur do Val (Mamãefalei) fizeram vídeos opondo-se um ao outro mutuamente e alimentado tal conflito.
Não cabe a mim agora, fazer juízo de valor acerca dessas figuras, apesar de ser simpático as movimentações políticas do MBL que mostrou sua garra e determinação bem como dos posicionamentos de Nando Moura, sou levado a confirmação daquilo que trouxe incialmente e acomete até aqueles que querem fazer as coisas de um jeito melhor e diferente, os fazendo brigar entre si.
Conciliação é necessária entre o grupo( direita independente), mas será que será possível entre todos os grupos políticos da sociedade brasileira, dado o histórico lamentável que temos hoje?
Essa é a grande pergunta e infelizmente, acredito ainda não ter a resposta.
Natal, Flávio Bolsonaro, Brasil e a Idolatria.
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Pois é, a partir de hoje meu intuito é fazer essa vultuosa leitura a fim de fazer aquilo que é esperado daqueles que professam a fé Protesta...




