sexta-feira, 20 de junho de 2025

A religião emergente que está quase acabando

 A história política do Bolsonarismo, enquanto fenômeno sociopolítico na contemporaneidade brasileira, impressiona pela sua grandiosidade numérica e construção espontânea ao menos inicialmente por parte da sociedade civil. Vislumbramos a corrosão desse fenômeno, na medida em que o cerco jurídico-político se fecha em torno da figura protagonista do mesmo como salientei um pouco no meu último artigo, no entanto, acredito ser interessante fazer novamente um traçado histórico estabelecendo um paralelismo entre a ascensão desse "movimento" e o adensamento da canastrice moral e psíquica dos apoiadores fiéis da "nobre causa".


A figura de Bolsonaro ganha destaque a partir da participação do mesmo em programas de TV aberta de baixa audiência, os quais topavam qualquer coisa para angariar público e visibilidade, nesse sentido convidar um político sem feitos concretos nulos na sua atuação política, sem densidade intelectual alguma e com uma virulência estúpida nas palavras parecia ser uma boa ideia, como foi basta ver o faturamento da emissora catapultadora em questão durante o governo do mesmo. Nesse ínterim, entretanto, a popularidade de Bolsonaro se dava pela repercussão de suas falar em nichos restritos da internet, essa que naquela época começava a se alterar. Pois bem, havia um grupo que o entendia como figura adequada para assumir destaque no debate político nacional, mesmo com os predicados que eu destaquei a pouco. Resumia-se, portanto, a uma grande piada. 

Tudo começa a mudar, na medida em que, com essa pequena retaguarda visionária que o impulsionava a cavar espaço na mídia convencional e nas redes sociais, somado a tentativa do mesmo em se ancorar nas movimentações pelo impeachment de Dilma Rousseff o mesmo vai ganhando espaço, nesse momento ainda com desconfiança e descrédito mas o importante naquela ocasião, era ser falado. Tal estratégia, mostrou-se muita inteligente, visto que com o sucesso das movimentações pelo impeachment de Dilma Rousseff e a ausência de uma liderança política, oriunda daquela movimentação, Bolsonaro, que não teve trabalho concreto algum para viabilizar a deposição da então presidente, se cacifou como liderança quase inconteste. As pessoas, então, ouvindo seu discurso que foi modulado para atender as expectativas das mesmas expostas nas ruas entre 2013 e 2016, agora o tinham como o arauto da transformação sebastianista rastaquera como expus no último artigo. Assim como de baixo para cima as pessoas se revoltaram com estado deletério de coisas em que o país estava acometido, agora também espontaneamente faziam ode a Jair Messias Bolsonaro.

Sob um prisma teológico, vislumbramos, então, a perspectiva de criação, queda e redenção no caso brasileiro a criação do país se deu de forma atabalhoada como bem sabemos ao olhar para todo o processo colonizatório que fundamentou culturalmente o que hoje somos, bem como as sucessivas crises quando já independentes apontando para essa queda que mostrou-se aguda a partir dos anos 90 para cá e a redenção esperada com alguém inadvertidamente chegando e transformando todo o nosso estado de coisas, obviamente esse alguém foi Bolsonaro. Tal vislumbre redentivo, mostra-se problemático sob muitos ângulos, mas o mais certeiro e latente está no fato de colocarem expectativas e fé salvadora em um homem cheio de falhas e sem nenhuma qualidade visível. A política, pode trazer muitas vezes consigo uma forte carga de cinismo, ao percebermos sabiamente que ela faz o possível que está a uma distância muito acentuada do ideal; o povo entidade abstrata e problemática, no entanto, não compreendeu assim e depositou confiança inabalável em um homem facilmente abalável.

Ao longo do tempo, como já disse em outras ocasiões, a torcida espontânea e engajada virou culto sectário e violento(discurso) dessa forma o que poderia ser em algum ponto algo bom, mesmo que eu particularmente nunca tenho percebido assim, virou apenas uma torcida lulopetista de sinal contrário. Portanto, aquelas disputas como cruzeiro versus atlético ou católicos versus evangélicos, ganharam mais uma disputa notável lulistas versus bolsonaristas todas essas torcidas não se valem de grande aporte intelectual e muitas vezes foge da racionalidade e se desenvolve no campo das paixões. Esse é o ponto em que nos encontramos, quando olhamos para os apoiadores persistentes dessa seita, visto que, graças aos mecanismo de fidelização promovidos pelos microfones de aluguel e pelas redes de mensagens nas redes sociais Bolsonaro segue cristalizado no imaginário dessa gente como aquele que tentou salvar e não conseguiu.

Parcela da população, então, hoje segue sendo imebecilizada e enganada; mas não podemos nos iludir são fruto de todo esse autoengano metafísico que levou o país a criar uma nova religião caracterizada pelo uso das cores do Brasil, palavras de ordem e culto ao líder. Não há redenção na política, como eu disse no começo esse fenômeno está nas últimas, entretanto, algo similar pode ressurgir se essa concepção atabalhoada persistir. Saibamos que podem haver boas aventuras e mecanismos terapêuticos para qualquer sociedade em que ela se estabelece, compreendamos isso e sairemos do lamaçal vigente.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Triste Fim de Policarpo Bolsonaro!

 As notícias recentes, apontam para  a prisão iminente de Bolsonaro. Com base no avanço do depoimento de autoridades ligadas ao seu governo, bem como elementos intrincados a investigação em curso, somado a vontade política do sistema administrativo do país estabelecido, tudo leva a crer que o mito será derrubado. Cabe, então, ao se levar isso em consideração quais os fatores ou movimentos que nos trouxeram a esse momento de desfaçatez aguda no debate político e humilhação de um campo político que parecia promissor e destinado a grandes feitos em 2018.


Quando nos deparamos com um cenário absolutamente devastado, fruto de escolhas ruins daqueles que deveriam garantir a sua subsistência e propósito. Somos levados a questionar: há solução ou alguém pode resolver esse estado de coisas? Esses questionamentos foram feitos, quando o Brasil concluiu atonitamente que as proposições feitas por Lula e o Partido dos Trabalhadores, atingiram um teto como um grande esquema de Pirâmide ou Marketing Multinível. Onde, após as crises ligadas ao mensalão, o debacle que se abateu sobre o país no governo Dilma, bem como o escândalo do petrolão somados a desmoralização generalizada da classe política levaram a desolação por parte das pessoas e um anseio por um transformação Sebastianista do estado de coisas da nação Tupiniquim.

Desta feita, o estandarte Sebastianista Tupiniquim foi erguido em solo brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, o nome imponente que traria a mudança demandada naquele cenário de terra arrasada pós-impeachment de Dilma Rousseff e descrédito total do governo federal na figura de Michel Temer, mesmo com medidas corretivas, no que tange a esfera econômica, em seu governo. Assim, surgia essa grandiosa promessa e restou a população  a confiança naquela figura capaz de ler os anseios e impressões da população e dessa forma, consolidar uma persona verborrágica, objetiva e certeira. Não havia dúvidas, aquele que começou como memes de pré-adolescentes bem humorados, torna-se um representante notável da Classe Média e uma brisa suave nas têmporas dos mais velhos naquele contexto.

Pois bem, se o cenário de terra arrasada foi fruto de escolhas, demandava-se, então, daquele ícone emergente decisões e tratativas que operassem na direção oposta daquilo produzido por aqueles a o precederem. Entretanto, ao vencer aquele pleito lendário, surgiram no noticiário elementos que questionavam a idoneidade de seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, sob tal sombra seu governo foi montado. Grande expectativa na largada, mas logo se viu que o motor daquele possante não completaria nem uma volta, assim por meio de elementos atualmente repetidos de maneira prosaica como a indicação de Augusto Aras a Procuradoria Geral da República ou a instituição do juiz de garantias ilustram, portanto, o caráter hipossuficiente daquele arranjo construído e o descumprimento total das promessas de campanha. Assim, o ano de 2019 na opinião pública, foi apenas enrolação e polemização vazia por parte do governo federal, quanto ao ano seguinte percebeu-se rígida incapacidade política onde em um momento que qualquer político minimante sagaz, promoveria união o presidente Bolsonaro investiu na desunião.

Somado a essa pantagruélica decepção, conseguimos vislumbrar com base em notícias mais recentes, mas também com uma lupa mais ampliada ao governo corrente naquele momento histórico, que o cometimento de crimes por parte daquele governo também foi algo fartamente percebido. Desde escândalos na área da educação utilizando-se de barras de ouro, até gabinetes informais visando a derrubada do regime vigente e implementação de uma ditadura. Com base nisso, ou seja, o descumprimento perenal das promessas de campanha somado a crimes reais cometidos pelo governo deveria haver uma sublevação, daquela população que esteve fortemente ativa de 2013 a 2018 a fim de exigir a mudança de rota ou deposição do governo em análise, entretanto, nada disso ocorreu, pois o senso cívico tornou-se fanatismo e idolatria política.

Por meio de grupos de WhatsApp, grupos de Telegram, microfones de aluguel e lives diuturnas do então presidente da República. As pessoas se tornaram anestesiadas e idiotizadas, por aquele governo que fingiu ser a promessa ex-machina de mudança mas mostrou-se exclusivamente um sonho tresloucado e pueril; não para essas pessoas dopadas. Essas no ápice da fanatização desenfreada, dirigiu-se para a praça dos três poderes e tentou romper mesmo que atabalhoadamente com a ordem institucional vigente. Mas nem todas foram pelo caminho de dobrar a aposta no cavalo manco.

A constatação, precisa ou não, por parte da população desses elementos por mim trazidos aqui levou a derrota de Bolsonaro nas urnas que ele repetidamente colocou sob descrédito, essas foram poderosas o bastante para impedir seus delírios de grandeza e sua incompetência grotesca, visto que nem Dilma Rousseff em sua incapacidade para realizar as atividades mais singelas perdeu uma reeleição. Sob tais constatações, grande parcela dos que votaram em Bolsonaro em 2018 não repetiram o feito em 2022; assim a proposição de uma panaceia política veio ao fim e os envolvidos nisso em especial o ex-presidente, agora enfrentam o amargor das consequências de seus atos indiscutíveis de injustiça.


Natal, Flávio Bolsonaro, Brasil e a Idolatria.

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