segunda-feira, 14 de abril de 2025

A verdade vem das entranhas!

A construção de um ídolo, começa nos corações dos homens daí em diante as movimentações de mãos, pés e olhos serão para dar vasão ao culto prestado a aquele entronizado nos afetos dessas pessoas. Por tal motivo, torna-se muito difícil derrubar ídolos, esses que sempre são ruins e prejudicam a leitura adequada da realidade; essa reflexão inicial é facilmente constatada quando consideramos o fenômeno político na história recente do Brasil chamado de Bolsonarismo.
A construção da figura política de Bolsonaro, se deu massivamente pela espontaneidade das pessoas e por um esforço notável em alçar a grandes posições a figura daquele parlamentar inócuo e incapaz. Dessa forma, se estabeleceu uma plataforma política alçada fortemente no voluntariado acentuado das pessoas, algo indiscutivelmente inédito na política brasileira, como bom ser humano cheio de distorções morais em seu interior Bolsonaro aceitou ser divinizado e aproveitou isso para conquistar poder, prestígio e muito dinheiro.
O resto da história nós já conhecemos, aqueles que o idolatram esperando mudanças estruturais se decepcionaram e abandonaram o barco, aqueles que o idolatram apenas por saudosismo ou vazio existencial seguem o aplaudindo energicamente até hoje. O fato, entretanto, inescapável é que Bolsonaro nunca teve condições éticas e morais de encampar aquilo que prometeu fazer quando candidato em 2018, tanto que não fez, além disso mostrou-se um ser humano fortemente limitado como qualquer outro, quando pensamos no atentado por ele sofrido naquela eleição e as complicações de saúde decorrentes disso.
Ontem, então, fomos lembrados da loucura da idolatria onde os homens prestam culto a coisas ou entes desagradáveis e falhos incompletos em poder, presença e conhecimento. A loucura se dá pois essas características já são comuns a todos nós, assim portanto se faria necessário um ser que suplanatasse tais limitações, mas infelizmente não é assim que as pessoas lêem. O central aqui é o evento indiscutível, Bolsonaro sofreu fisicamente e segue sofrendo ele não é divino ou poderoso, ele agora está a mercê da boa vontade de médicos e do sistema político; coisas pequenas quando pensamos nas possibilidades que uma suposta divindade possui.
Por fim, podemos encerrar compreendendo a necessidade de fugir da insanidade da idolatria e entendermos esse mundo como ele é de fato: caído, imperfeito e decepcionante. Nos conformaremos então? Certamente não, devemos lutar pelo bem sempre mas entendendo que o mal seguirá sendo presente nessa realidade sob os moldes nos quais ela está colocada.
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Por 
Marlon A.M. Martins