quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Bolsonaro e sua realeza: o cinismo em carne e osso!

 


O Bolsonarismo enquanto fenômeno político e midiático da história recente do país, mostrou-se algo ímpar e atípico na história de nosso país. Considerando as particularidades do momento histórico em que o mesmo se firmou, leia-se, a proeminência das mídias sociais bem como da comunicação massificada e descentralizada; no entanto, isso se refere as externalidades do movimento o que é surpreendente no fenômeno é o caráter de inovação e mudança política que o mesmo atribuiu para si, porém, esse é o pulo do gato até 2018 essa autodeterminação poderia fazer sentido mas com Bolsonaro no poder e as escolhas por ele feitas, percebeu-se inequivocamente que o mesmo não passava de um falastrão e que seria incapaz tecnicamente e moralmente de realizar as promessas que fez durante as eleições.

Cabe a mim agora pontuar alguns elementos que corroboram essa constatação que fiz, caso contrário, será apenas o dito pelo não dito e isso é extremamente desagradável não é mesmo? Bom vamos a questão nevrálgica no discurso firme e impactante de Bolsonaro durante aquelas eleições de 2018: a segurança pública - esse tópico foi batido por Jair incansavelmente durante aquela corrida presidencial, onde o mesmo dizia que a criminalidade não teria vez em seu governo, que os crimes graves seriam severamente punidos, a corrupção não teria espaço na sua administração, além disso as pessoas de bem que desejassem ter acesso a armas de fogo para defesa pessoal o teriam com imensa facilidade. Esse foi o discurso, vamos a prática o fato concreto é que não houve nenhum endurecimento penal no que tange ao combate crime organizado, a corrupção foi premiada em seu governo quando o mesmo sanciona o juiz de garantias e coloca no comando da Procuradoria Geral da República uma figura garantista, sem nenhum apreço pela ação combativa da justiça contra as ilicitudes dos políticos, além disso encerra a operação lava-jato, não passa nenhuma lei referente a viabilidade do uso de armas de fogo pela população comum. O que temos aqui? Estelionato eleitoral puro e simples, vale considerar que essas foram as principais falas de Bolsonaro no que tange a temas caros para o eleitorado de direita, bom se no principal o mesmo foi um completo incapaz, consideremos as questões secundárias, será que nelas ele foi efetivo?

A resposta para essa pergunta é não, as reformas demandadas pelo população naquela ocasião sendo elas a reforma previdenciária, reforma política, reforma administrativa e reforma tributária não foram em sua maioria levadas a cabo. A única reforma aprovada no governo Bolsonaro, foi a reforma da previdência trancos e barrancos sem a sua anuência, pelo contrário, o que teve por parte dele foi descrédito em relação a necessidade da mesma e exigência de que houvessem exceções na mesma para o setor militar. Sendo essa a mais amadurecida no debate naquela ocasião, após um esforço hercúleo foi possível implementá-la. Quanto ao restante, certamente, nem perto de avançar foi possível. Nesse sentido o Brasil segue profundamente desigual e sem mobilidade formal, no que se refere a possibilidades econômicas. Isso foi mais um estelionato eleitoral grave.

Sendo essa a constatação ao se verificar os fatos, deveria existir grande comoção popular para a derrubada desse governo, uma vez que o mesmo descumpriu tudo aquilo que prometeu em uma onda cultural, midiática e sensorial de profundas mudanças no estado coisas do país. O que obtivemos, no entanto, foi a cristalização ainda maior da fidelidade a Jair Bolsonaro devido a sua rede de apoiadores com inúmeros seguidores nas redes sociais que defendiam todos os malfeitos feitos pelo governo de então, bem como pelas correntes de Telegram e WhatsApp que mantiveram ativo o endosso e apoio a essa figura.

Isso nos levou a termos a gestão federal que temos nesse momento, como constatar isso em termos factuais para além da elucubração indignada? Bom, basta que vislumbremos as decisões que o governo adotou no que tange ao judiciário brasileiro, onde o mesmo não viabilizou uma CPI que investigasse as possíveis arbitrariedades e ilegalidades da Suprema Corte, além da questão central que devolveu Lula a disputa política, sendo essa a indicação de Bolsonaro de Kássio Nunes e André Mendonça para o STF, onde o primeiro a  votar deu o voto de minerva que colocava Lula de volta a disputa política, mesmo esse tendo sido preso por escândalos de corrupção. Além disso, o mesmo vetou a lei que limitava decisões monocráticas de ministros da Suprema Corte; vale lembrar uma vez que eu já vinha me esquecendo onde todas essa traições trazidas por mim desde o início se deram pelo fato de Flávio Bolsonaro estar elencado em escândalos de corrupção e a fim de não sofrer nenhuma retaliação do sistema político o mesmo optou por descumprir todas as promessas que fez em sua campanha de 2018.

Depois de tudo isso, somado ao desastre que foi a condução do governo Bolsonaro no que se refere a pandemia, a eleição de Lula se mostrou muito facilitada. Lula então assume um país em frangalhos, devido a má gestão de Bolsonaro em todos os sentidos e por ser um incapaz técnica e moralmente não moveu uma vírgula para garantir a mínima melhoria da nação. Nesse momento que publico esse texto o mesmo tem chances de derrocada, na medida em que houve uma suposta irregularidade no programa "Pé-de-meia" destinado a concluintes do Ensino Médio, soma-se a isso as graves notícias recentes relacionando o governo a organizações criminosas do nosso país e temos o caldo cultural perfeito para a retirada do nosso governante.

Falta apenas vontade política (se chegou até aqui és um guerreiro), esse é o problema já que os legatários de Bolsonaro nesse momento optam por fazerem discussões inócuas nas redes sociais sobre quem irá presidir o Senado e a Câmara do Deputados, enquanto isso, Lula se mantém em fervura lenta na cadeira presidencial. A pergunta que fica é porque eles não estão ativamente mobilizados pelo impeachment de Lula? A resposta é simples, precisam do aval de Jair Bolsonaro e tudo indica que o mesmo não se interessa pelo impeachment de Lula, já que ambos são figuras populistas e um precisa do outro para ter apelo eleitoral.

No fim a mesquinhez persiste, caso queira fugir dela a hora é essa e defender a derrocada desse governo para que novos ares possam ser vislumbrados adiante, caso contrário  o sofrimento da nação será ainda mais acentuado em breve tempo.